FESTIVAL DE APOIO À CRIAÇÃO DA COMPANHIA OLGA RORIZ

Bruno Senune – LA SOIF

SEXTA 3 OUTUBRO – 18H30 – ESTÚDIO CENTRAL

DOMINGO 5 OUTUBRO – 19H00 – ESTÚDIO CENTRAL

© Kmiye Melle Pin

LA SOIF é um projeto onde me reencontro comigo próprio, onde as várias peças que fui desenvolvendo, por entre muitas outras como intérprete, respiram, aceitam o encontro e se transformam, através de vários mecanismos de criação e desafios autopropostos, numa nova viagem, a viagem da viagem, uma viagem por entre a destruição, re-construção, lamento, deriva, delineando paisagens por entre o sufoco e a respiração. Em particular, em LA SOIF volto a olhar para quatro peças que desenvolvi: (KID 2016), (DRIFTING EYES 2017), (MELANCOLIA 2019) e (NÁCAR 2023), procurando agora uma partitura coreográfica que aglomere de uma forma nova e contínua estes quatro momentos, construídos separadamente, e no seu tempo específico, criando assim um novo solo, fruto da revisitação. A partir dos conceitos de viagem e memória, estabeleço novos entremeios que destroem binários, que se reformulam por entre possibilidades fixas. O “trash”, o queer, a paisagem inominável, o etéreo, o efémero, mas sempre o corpo, presente até nas maiores ausências, a elaborar o passo, o compasso, o movimento, o suor, o erótico, o “estou aqui”. Assumo nesta peça o meu nomadismo, concreto e ficcional, aceito que a viagem me caracteriza como pessoa, como artista, construindo imaginários assentes na autobiografia, mas também eles reformulados e reconstruídos por entre universos ficcionais. Desenvolvo-me como mito, deambulo por entre lamentos, desolações e desconsolos. O que é o real senão uma construção, um olhar, particulares? Sou, tal como uma das possibilidades de ser Helena, filha do Oceano e de Afrodite, entre o infinito do mar e o erotismo, viajando por entre marés e possibilidades de encontro, acreditando em imaginários ondulantes, efémeros, transitórios e ritualizados, que se repetem, e voltam e revoltam. Stig Dagerman diz em a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer “tudo em mim é um duelo, uma luta travada a cada minuto da vida entre falsas e verdadeiras formas de consolo. Umas não fazem senão aumentar a impotência e tornar-me mais fundo o desespero, outras são fonte de temporária libertação”. Em LA SOIF continuo à procura de um rumo, de uma identidade do agora, do amanhã, (des)construindo e vivendo através de uma ideia de amor também ela do agora e do amanhã, numa constante tentativa de consolo.

ficha artística
direção, espaço cénico e performance
Bruno Senune
textos, documentação e investigação Telma João Santos
assistência coreográfica Régis Badel
figurino Uri, a partir de uma ideia de Ana Isabel Castro
paisagem sonora Bruno Senune
apoio técnico Lise Meron
design gráfico Kmiye Melle Pin
residências A Piscina, Companhia Olga Roriz, STUDIO BUSSEIX
co-produção Festival Interferências, CDCE – FIDANC
gestão administrativa Réptil Artes Performativas

Imagem: © Kmiye Melle Pin